#Resenha + #VídeoResenha | A Possessão do Sr. Cave

a-possessao-do-sr-caveTÍTULO: A POSSESSÃO DO SR. CAVE

AUTOR: MATT HAIG

TÍTULO ORIGINAL: THE POSSESSION OF MR CAVE

EDITORA: RECORD

PÁGINAS: 272

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Apesar de todos os indícios, este não é um livro com exorcismo e cabeças girando 360 graus. Ele fala de morte e de como o luto pode mudar a mente daqueles que estão sob este processo natural da vida.

A escrita é feita em forma de carta por Terecence Cave desde o momento em que perde seu filho Reuben, irmão gêmeo de Briony. Quando uma mulher perde o esposo é chamada de viúva, quando um filho perde os pais é chamado de órfão, mas quando Terence perde seu filho, vítima de bulliyng, não há nomenclatura.

O Sr. Cave já é viúvo e agora a única coisa que lhe resta no mundo é Bryony, uma jovem dotada de dom musical; Que a qualquer custo será protegida por seu pai. É aí que reside a trama principal, a superproteção.

A escolha do sobrenome do personagem, caverna em inglês, deixa bem claro que Terence está vazio e ao longo da trama vai se enchendo de medo e do desejo de controlar a vida da filha em todos os aspectos possíveis. Como criar algo sem saber tudo sobre a criatura? Esse é o peso sobre as costas de Terence que vai sendo jogado sem medida para o leitor.

A possessão do título refere-se tanto à loucura que vai tomando conta das atitudes do Sr. Cave quanto dos flashes que ele vai tendo da vida do filho falecido. Vale dizer que isso não é spoiler, já que o suspense da trama está na tentativa de descobrir se é real ou está acontecendo dentro da mente perturbada de nosso personagem, não pude deixar de lembrar Outra volta do parafuso de Henry James.

O clima do livro é cinzento, assim como a Inglaterra e a maioria dos dramas envolvendo perda, e aqui aproveito para indicar outras duas obras que tocam esse assunto: Precisamos falar sobre o Kevin e Mathilda Savitch.

É um livro de terror. Terror de coisas possíveis que podem chegar para qualquer ser humano vivo.

E Não deixem de conferir a minha vídeo resenha do livro. (Ótima para quem queria saber como eu sou ao vivo e em cores.)

#Resenha | Suicidas

Antes (ou depois) de ler a resenha, não deixem de conferir a incrível entrevista que foi feita com o autor aqui para o blog! >AQUI<


capa-do-livro-suicidas-de-raphael-montesTÍTULO: SUICIDAS

AUTOR: RAPHAEL MONTES

EDITORA: BENVIRÁ

PÁGINAS: 488

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Suicidas é um uma cereja – deliciosa – de alta qualidade sobre a maioria das obras produzidas sem cuidado editorial no país. Qualidade literária de um autor iniciante abaixo da linha do Equador é um colírio nos olhos de qualquer leitor.
     O ponto de partida para o livro é o mistério envolvendo o suicídio de nove jovens cariocas, os motivos individuais e do grupo são trabalhados com cuidado ao longo das 487 páginas.
     Três linhas narrativas diferentes são usadas para contar a história e manter a trama no ritmo perfeito de pageturner. Alessandro Parentoni é o personagem responsável por direcionar o leitor através suas anotações anteriores à roleta-russa e com seu livro que narra os acontecimentos dentro do porão onde os corpos foram encontrados, a terceira narrativa vem das gravações realizadas pela delegada Guimarães com as mães dos suicidas durante uma longa entrevista realizada um ano após o suicídio.

     Seguir sob uma narração bem feita em primeira pessoa é muito bacana dentro de livros policiais, permite acreditar e ver somente o que o narrador diz, criando assim milhares de outras peças para o quebra cabeça fora desse ponto de vista.

O Autor

O Autor

      Todos têm segredos e a juventude ainda sofre com tabus que lhe cercam diariamente, em qualquer canto do planeta independente da classe social ou religião, e não é diferente com os personagens que decidem deixar esse mundo de forma repentina.
     Raphael deixa claro que ninguém conhece realmente ninguém e mistura temas ainda evitados no século XXI, tais como bissexualidade, Síndrome de Down e psicopatia por si só.
     A obra parece uma versão atual e melhorada para – o clássico, o amado, o aclamado! – O caso dos dez negrinhos na escrita inteligente de Martin Amis, invertendo os subgêneros dentro da secular arte da literatura de mistério. Qualidade e diversão garantida.

#Resenha | Barbolândia – A Fuga do Herdeiro

barbolandia - a fuga do herdeiroTÍTULO: A FUGA DO HERDEIRO

SÉRIE: BARBOLÂNDIA

AUTOR: BRUNO MELO

EDITORA: BARBO HOUSE

PÁGINAS: 80

CURTA NO FACE

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“O que eu queria era viver minha vida como se ela não estivesse pronta. É difícil de explicar-lhes agora, mas é isso.”

A narrativa de A fuga do herdeiro tem uma prosa bem parecida com a de autores infantis conhecidos: Philip Ardagh e Lemony Snicket. Apesar do autor não abusar do narrador para conversar com o leitor.
A quebra da harmonia se dá pela fuga do jovem Ryan Day de sua vida fútil com a Dinastia Day – sua família riquíssima-, daí em diante é perseguido por mendigos, encontra piratas, é aterrorizado por uma gangue e até mesmo por um tornado.
O livro podia muito se passar no Brasil, tendo a acreditar que os autores nacionais deveriam valorizar um tantinho mais da nossa cultura quando possível, mas não muda em nada o aproveitamento da obra.Bruno Melo
Logo de cara o leitor é avisado que um livro bom não precisa ser curto ou extenso, mas sim interessante, neste volume (o primeiro da série Barbolandia) o fim é corrido e o clímax esperado não acontece, mas ainda estou achando que essa parte estava no meio da obra e eu acabei perdendo.

80 páginas passam rapidinho e as ilustrações do texto são agradáveis, mesmo assim acredito que um livro só, maior, poderia conter a história completa de Ryan e seus amigos aventureiros sem desgastes ao longo da leitura.
Ainda em tempo queria parabenizar o autor, que é jovem e abriu a Barbo House (editora) para poder divulgar a obra, não é fácil escrever no Brasil e muito menos entrar no mercado editorial.

#Entrevista | Raphael Montes

1)   A equipe Rk Books agradece por participar da entrevista e começa querendo saber mais sobre como você acabou tendo seu primeiro romance publicado na Série Negra da Editora Benvirá.

Escrevi “Suicidas” dos 16 aos 19. Comecei a escrever no segundo ano do Ensino Médio e acabei no final do primeiro ano de Direito na Uerj, em 2009. Na época, enviei o original para várias editoras grandes que publicam romance policial. Enviei também para o Prêmio Benvirá, criado pela Ed. Saraiva em 2010 para autores nacionais.

Em fevereiro de 2011, recebi uma ligação do diretor-editorial Thales Guaracy dizendo que “Suicidas” fora finalista do Prêmio e que eles queriam publicar. Mais ainda: a editora estava começando a lançar uma série policial com vários autores estrangeiros (a “Série Negra”) e estava querendo um autor nacional que se comprometesse a escrever romances policiais com frequência. Topei na hora.

 

2)   Como é começar – com o pé direito – em um país onde a literatura não é tão valorizada em comparação com outros?

Fico muito feliz de ter a oportunidade de mostrar meu trabalho tão cedo. Ter um romance publicado por uma editora do porte da Saraiva aos vinte e dois anos permite que, desde já, eu comece a apresentar aos leitores de todo o Brasil meus projetos na literatura de mistério. Infelizmente, este é um gênero ainda fraco no Brasil, que carece de autores bons e dedicados. Espero que isso mude nos próximos anos.

 

3)   Qual sua reação ao ver que as resenhas e comentários em torno do livro são bons?

Felizmente, “Suicidas” vem colecionando críticas positivas dos leitores, da imprensa e também dos livreiros. Tive encontros via skype com livreiros de São Paulo e de Brasília. A maioria deles leu o livro, veio falar comigo no facebook, indicou “Suicidas” a amigos e clientes. Outro dia, uma amiga de Brasília foi comprar o livro e a caixa da loja disse que tinha lido porque, segundo ela, “todo mundo da loja estava comentando”. Isto é ótimo. Para o autor estreante, que não consegue muito espaço na mídia, o “boca a boca” é que vende o livro, faz a história circular. Costumo pedir a todo mundo que leu “Suicidas”e gostou que recomende aos amigos.

Depois de mais de cinco anos dedicado a este trabalho, é gratificante ver o retorno entusiasmado das pessoas. Agradeço muito cada comentário. No fim das contas, quem faz o sucesso de um livro é o leitor.

 

4)   Suicídio é um tema pesado em qualquer obra de arte, qual sua visão particular desse ato?

A pergunta que mais me fazem atualmente é se já pensei em me matar. Aviso desde logo que a resposta é “não”. Hehehe

Apesar disso, noto que virei uma espécie de referência sobre o tema. Até mesmo alguns psicólogos já vieram me falar que leram o livro e gostaram do retrato da mente de jovens suicidas.

Naturalmente, para escrever o livro, tive que pesquisar muito sobre suicídio. Li ensaios, ficção e muitas reportagens (que são absolutamente difíceis de se encontrar, já que o tema é tabu). Conversei com psicólogos e encontrei pessoas que já tinham tentado (ou pensado em) suicídio.

No fim das contas, a conclusão a que se chega é que ninguém entende direito como isso funciona. O que leva alguém a se matar? De onde isso surge? Existem teorias, e muitas. Mas prefiro não me meter nesta seara. Sou escritor policial, não um especialista no assunto.

 

5)   O livro trabalha ainda com sociopatia, bissexualidade e Síndrome de Down. Como foi a pesquisa para falar de assuntos que ainda são polêmicos? 

“Suicidas” narra a história de nove jovens de classe alta que se reúnem para fazer uma roleta-russa. No porão em que o evento acontece, eles bebem e fumam a valer. O mistério do livro é justamente o que os levou – pessoas aparentemente felizes – àquela situação limite de optar pelo suicídio.

Pois bem, uma das primeiras coisas que pensei ao escrever este livro é que eu não podia ter pudores. Trata-se de um livro sobre jovens que não têm nada a perder, que não precisam se preocupar com punição, com o futuro ou coisa assim. Eles têm total liberdade de fazer e dizer o que sempre quiseram. Eu quis trabalhar com esse despudor. E aproveitei para falar de temas polêmicos atuais: bissexualidade, drogas, internet, descaso familiar, síndrome de down, entre outros. A pesquisa para a maioria destes temas foi supercial, pois eu tratei do mundo em que vivo, de uma juventude da qual faço parte. A realidade bate na minha porta. Não precisei pesquisar muito.

 

6)   Quais seus autores e livros favoritos?

Meus autores favoritos são Agatha Christie e Patrícia Highsmith. A primeira me ensinou a importância de tramar cuidadosamente uma história; a segunda me mostrou como criar personagens verossímeis, com profundidade psicológica. Gosto muito de Cornell Woolrich, Dennis Lehane e Chuck Palahniuk também. Meus livros favoritos são Tarântula, Paciente 67, O caso dos dez negrinhos e O talentoso Ripley.

7)   Alguma dica para novos escritores?

A dica que dou é: persistam. Escrever um livro não é nada fácil. Publicar tampouco. Para dar certo, é preciso determinação. Quando outras ideias surgirem, tome nota, mas continue no seu projeto inicial. Outras duas importantes dicas são: ler muito e escrever sobre aquilo que se conhece. Não adianta ter vinte anos e escrever um romance sobre um casal de meia-idade em crise. Acaba soando forçado ou falso.

8)   Poderia nos falar sobre seu próximo ou próximos projetos?

Tenho o projeto de trabalhar com os subgêneros da literatura policial. “Suicidas” tem muito de thriller, mas traz consigo elementos de suspense psicológico, de romace-enigma e de noir. Este tipo de mistura, quando bem dosado, pode dar certo.

O projeto atual se propõe a ser um suspense psicológico clássico (poucos personagens, investigação profunda nas motivações de cada um), mas com um toque de thriller (reviravoltas inesperadas e final chocante). O plot inicial é simples: um jovem estudante de Medicina se apaixona perdidamente por uma mulher e decide tê-la para si a qualquer custo. A maneira dele para tentar conquistá-la é, digamos, pouco convencional. rs É uma história contada da visão do psicopata.

 

9)   Obrigado pela paciência. Por favor, deixe alguma mensagem para seus leitores (atuais e futuros).

Agradeço muito a todos que me lêem. Sintam-se convidados a conversar comigo, trazendo críticas ou sugestões para livros futuros. A opinião de vocês, leitores, é muito importante.

#Resenha | Corrida de Escorpião

TÍTULO: A CORRIDA DE ESCORPIÃO

AUTORA: MAGGIE STIEFVATER

TÍTULO ORIGINAL: THE SCORPIO RACES

EDITORA: VERUS

PÁGINAS: 378

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Algumas corridas são feitas para vencer. Outras, para sobreviver.
No mar de Escorpião existe uma ilha, no mês de novembro cavalos mágicos surgem do oceano para  o bem ou mal dos moradores…
      “Os cavalos d’água são famintos e maus, violentos e belos, amam e odeiam cada um de nós.”
      A autora baseada na lenda irlandesa-escocesa dos capall uisce (O Brasil tem essa versão também, o boto cor-de-rosa que se transforma em homem) utilizou alguns aspectos da história em um cenário simples para compôr uma intriga interna entre dois personagens principais não muito diferentes.
      Sean e Puck são os protagonistas e também os narradores. Ambos, infelizmente, não convencem o leitor e nem possuem uma linguagem diferente para descrever as situações, que são realizadas cronologicamente.
       Puck é uma jovem com dois irmãos, órfãos. Decide participar da Corrida de Escorpião para manter seu irmão por mais um tempo morando na ilha, coisa que desde o princípio é obviamente desnecessária e tola para o leitor e qualquer outro personagem fora de sua pele. Lá pelo meio da história ela se dá conta disso, mas pretende participar mesmo assim .pelo prêmio em dinheiro, já que a casa onde mora está prestes a ser tomada pelo credor.
      Sean já ganhou a Corrida de Escorpião quatro vezes – das seis em que participou –  e sabe que correr com capaill uisce é uma coisa perigosa e mágica. Ele precisa do dinheiro e da vitória para poder comprar seu cavalo, Corr.
      De um lado um vencedor experiente com seu capaill uisce e do outro Puck com sua égua normal, Dove.
        A autora não soube trabalhar a narração dos personagens, muitos capítulos são diferenciados apenas porque começam com o nome do narrador, ritmo, vocabulário e personalidade se confundem o tempo todo.  Em compensação não caiu na febre da literatura Young Adult em colocar a jovem dividida em duas paixões másculas, sobrenaturais e com barriga de tanquinho.
      Puck sofre com o machismo por ser a primeira mulher a se inscrever na Corrida e Sean sente a cobrança de ser um vitorioso solitário. Um romance entre os dois era inevitável desde o início, mas consegue se manter saudável e dentro dos limites de um livro de ação.
       Qualquer comparação com Jogos Vorazes é inútil apesar da proposta: Algumas corridas são feitas para vencer. Outras, para sobreviver.
       Poucos capítulos não são cansativos, chegar ao meio do livro foi um trabalho lento e talvez desse ponto em diante é que a escritora consegue, desculpe pela expressão, tomar as rédeas e mostrar o que pretende fazer com a trama.
      Minha principal intenção ao ler A Corrida de Escorpião era entender mais o amor aos cavalos e um funcionamento de um haras. Em nenhum me senti satisfeito. Se o livro deixou na mão em muitos aspectos, pelo menos ensinou uma verdade que talvez muitos jovens venham a aprender: Nada é completamente inofensivo.

#Resenha | Geração Subzero

TÍTULO: GERAÇÃO SUBZERO
20 autores congelados pela crítica, mas adorados pelos leitores

AUTOR: VÁRIOS

EDITORA: RECORD

PÁGINAS: 370

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Os autores não estão preocupados com os leitores, mas apenas com a satisfação da vaidade intelectual. Não são lidos porque são chatos, herméticos e bestas.” Esse é um resumo da longa introdução do livro, feita pelo organizador Felipe Pena.

A seleção dos escritores foi feita com base no que Felipe via na internet ou ouvia em grupos de discussão literária em comparação com a opinião dos críticos especializados. Quem escolheu o conto a ser publicado foram os próprios selecionados, independente de ser inédito ou não.

A pedra fundamental da coletânea é o Manifesto Silvestre, principalmente o artigo terceiro.

3. A ficção brasileira precisa ser acessível a uma parcela maior da população. O que não significa produzir narrativas pobres ou mal elaboradas. Rejeitamos o rótulo de superficialidade. Escrever fácil é muito difícil.

E no fim das contas a proposta é esta: escrever fácil e embalar os leitores. A edição dos textos foi feita por Ana Cristina Rodrigues e Priscila Corrêa, para quem não sabe a primeira moça é defensora da literatura especulativa nacional e tem conhecimento editorial para este projeto da Record.

Os nomes mais conhecidos foram os que mais deixaram a desejar, fosse por esperar algo diferente das histórias pelas quais ficaram conhecidos ou porque os contos não foram tão envolventes quanto se pretendia de início.  Gosto de ser julgado pelas coisas que gosto, então veremos as minhas partes favoritas. :D

Cirilo S. Lemos, -só tenho lido elogios sobre seus trabalhos -, soube muito bem trabalhar o texto dentro de um futuro cyberpunk nas favelas:

“Tubarão passava as festas inteirassem seu divã-móvel, entupindo-se de comida e sendo chupado na Realidade Virtual pelas madames esculpidas em bioplástico ávidas por experiências novas ao som da batida hipnótica de variação neofunk do blend e do suyba.”

Teve espaço para uma homenagem à Amy Winehouse através das palavras de Carolina Munhóz:

“E com 27 anos a rainha do jazz pop deixava o mundo em lágrimas.

Um mundo que tento cuidar dela. Que tentou lhe dar amor.

Mas ela teimava em dizer não.

E não. E não.”

Luiz Bras em sua ficção-científica neurodramática (acabei de criar essa expressão) O índio no abismo sou eu, me encantou:

“Antes eu não era nada, agora sou qualquer coisa que não sei bem o que é. Talvez eu seja só a própria eletricidade atravessando uns poucos neurônios.”

Menção honrosa para o humor estabelecido no conto O cão, que me fez dar boas risadas e ao misterioso O escritório de design probabilístico que soube trabalhar com a tensão sem criar um final tosco para a história. Esperava que a autora Andréa del Fuego estivesse presente no livro, mas a crítica é muito mais simpática para com ela.

No fim o resultado foi bem maior do que alguns consideram, não é uma simples resposta a Revista Granta, mas também uma demonstração do que pode ser produzido e muito bem apreciado fora da ‘literatura’.

Todos os direitos autorais foram cedidos para a ONG Ler é dez, leia favela. Uma salva de palma bem merecida aos autores.

#Especial | Saco De Ossos (Bag of Bones)

O livro

TÍTULO: SACO DE OSSOS

AUTOR: STEPHEN KING

TÍTULO ORIGINAL: BAG OF BONES

PÁGINAS: 392

EDITORA: SUMA DE LETRAS

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“Se comparado ao mais tedioso dos seres humanos vagando pela face da terra e projetando sua sombra, o personagem mais brilhante em um romance nada mais é do que um saco de ossos.” – Thomas Hardy, escritor inglês.

A citação anterior foi utilizada por Stephen King para dar título ao seu livro. Fã da literatura inglesa ele criou em Saco de Ossos uma obra-prima sobre luto, segredos e fantasmas.

Lançado em 1998 a narrativa sobre o famoso escritor mainstream Michael Noonan que perde sua amada esposa (grávida) Jo. Preso na dor da perda e em um bloqueio criativo decidi mudar-se para a casa do Lago Sarah Laughs na expectativa de mudanças.

Começa a utilizar seu estoque de romances de gaveta para manter seu nome na lista dos mais vendidos ao mesmo tempo em que conhece a jovem Mattie Devore e sua filha Ki. Apaixonado ele entre na luta pela custódia de Ki enfrentando o sogro de Mattie.

Racismo, estupro e assassinato arrastam Michael junto com o fantasma de Jo e de possíveis traições cometidas por ela. Sara Tidwell, uma cantora desaparecida, também está presente na casa do lago como fantasma residente e conta com a ajuda de um Michael desestabilizado e ameaçado de morte.

É considerado pela maioria (ou não) dos fãs de King – inclusive minha pessoa – como um dos melhores títulos já produzidos por ele.  Jorge Candeias, escritor e tradutor português tem uma opinião muito semelhante a minha: “É um calhamaço de 570 páginas que só melhoraria com menos aí umas 200.” (Falando sobre a edição de Portugal)

Minha teoria geral é que a parte cansativa da obra sintetiza a melancolia e o desenvolvimento que o personagem principal tem que passar para acostumar-se com a viuvez, solidão e sentimento de tristeza mesmo que isso não dissipe a culpa do autor.

Entretanto dos treze títulos que eu já devorei considero esse o melhor. :D

A minissérie

180 minutos de cidadezinha interiorana nos Estados Unidos que sofre de uma maldição e é cercada por segredos. Não é primeira vez que isso acontece com as criações do titio King…

O diretor Mick Garris é o responsável pela adaptação, ele carrega no currículo outros títulos de King como O iluminado, Desespero, Montado na bala e Dança da Morte. Produzido pelo canal A&E ao custo de 15 milhões de dólares e a presença de Pierce Brosnan como Michael Noonan.

A produção lançada diretamente para televisão teve um enfoque fiel ao livro, trabalhando bem e de maneira lenta a dramaticidade que era a essência da obra. Tudo bem que um pouquinho de sustos a mais não faria mal a ninguém e o fim cliché bem que poderia ter um toque de inovação.

Para uma tarde de sábado é bom convite. E como sempre, no final das contas, a gente só pode dizer se valeu a pena depois de ter visto.

Veja o trailer:

#Entrevista | Jim Anotsu


O autor de Annabel e Sarah, que reconhecidamente entrou no mercado editorial com o pé direito agora trabalha em seu próximo romance e nos cede uma entrevista bem animada.

 

Agradecemos a liberdade que você nos dá para esta entrevista e aproveitamos para saber: Quem ou o quê é o misterioso Jim Anotsu? 

Eu sou o cara qualquer que quando anda pela rua vai tropeçando nos seus próprios pés. Minhas roupas não combinam e como canta Cuomo: meus jeans precisam de remendo. Ando com os punhos fundos nos bolsos e tenho mania de colecionar coisas absurdamente inúteis. Sabe, um Alvin de pelúcia fica muito cool na prateleira. Sou viciado em mms verdes. Saio pra caminhar sem rumo para ter idéias e quando elas aparecem é como uma flecha através da cabeça até o cérebro.  Eu nem faço muita coisa além de estudar, escrever e visitar lojas de discos usados pra comprar CDs pra minha coleção. Tenho problemas com as normas fundamentais de interação humana e fico alternando meus sonhos de consumo entre um tapetinho num lugar vazio e alguma outra coisa. Nos fins de semana eu me encontro com meus amigos num posto de gasolina e fico conversando sobre coisas que vão desde Sartre até O Guia do Mochileiro das Galáxias e/ou minhas imitações de Marlon Brando.

 

ANNABEL & SARAH
O Primeiro livro do autor, mas que de primeiro não tem nada.
A Narrativa é tão bem-feita que já pode (deve) ser comparada à um Clássico!

Qual influência da literatura beat em seu modo de escrever?

Foi bem grande. E acho que é uma das chaves pra se entender Annabel & Sarah. Mas não as técnicas de escrita. Não sou louco para tentar emular a prosa-espontânea de Kerouac ou o Cut-up de Bill Burroughs. Mas a maior influência veio do espírito beat (beatnik é ofensivo): A liberdade de fazer o que quiser e buscar alguma coisa que realmente te faça sentir bem. E quando eu comecei a escrever o livro, estava sob influência direta de Kerouac, Ferlinghetti, Corso, Ginsberg e principalmente Neal Cassady que era a alma central de tudo. Aquele que representava o vagabundo iluminado e acabou por ser tornar o Code Pomeray de “Visions of Cody”. Eu não sou mais tão vidrado nessa galera hoje em dia e duvido que no meu próximo trabalho existam muitas referências a isso. Mas foi uma época legal da minha vida.

Você concorda com alguns críticos que afirmam que o livro é a resposta do autor para todos os livros já lidos por ele?

Se não fosse por Robert Louis Stevenson, aos meus quinze anos, eu nunca teria começado a escrever. De certa forma era uma resposta ao trabalho dele.  Escrever é estar na influência, um caso de apropriação e desapropriação de todas as coisas que você leu e a remontagem de tudo aquilo numa visão particular. Gabriel Garcia Marquez decidiu ser escritor em resposta a uma leitura de Kafka. E mesmo um autor que diga estar buscando aquilo que não encontrou em outros livros, está de certa forma reagindo a eles.

 

Como foi escrever Annabel e Sarah?

Eu me lembro de que foi demorada na primeira versão. E dolorosa na segunda, que tinha quase 300 e poucas páginas. Eu tinha um emprego naquela época e eu não era muito feliz lá, o chefe reclamava se a gente não sorria e um monte de outras besteiras. Eu estava no limite entre desistir de escrever, tentar deixar de ser um aluno medíocre e seguir aquilo que eu conhecia desde criança como “O Plano” – estudar, entrar numa boa faculdade, ter uma namorada séria e fazer tudo isso sem maiores incidentes. Eu estava simplesmente cansado de estudar, ter um emprego bem remunerado e queria que tudo explodisse no melhor estilo Trainspotting. Foi aí que eu me demiti e aluguei uma casa onde passei dias escrevendo obsessivamente num quarto fechado com janelas cobertas de papel alumínio. O que era uma loucura levando em consideração que tinha 18/19 anos naquela época. A terceira versão saiu desse período e é essa que vocês podem ler.

IDENTIDADE SECRETA?
Até hoje, ninguém nunca viu Jim Anotsu, cogitam de ele ser um pseudônimo… ou um autor extremamente envergonhado… e agora?
Qual seu palpite?

Porque Fantasia?

Porque eu não tive escolha. A autora de Crepúsculo disse não ter escolhido escrever sobre vampiros, simplesmente aconteceu. A história veio e era assim que eu deveria escrever. Eu não acho que seja possível acordar e decidir algo assim. Você simplesmente deixa a narrativa te guiar. Algumas pessoas se sentem mais a vontade em escrever dramas intimistas e outras adoram cavaleiros em cruzada contra o mal. O importante é se divertir no processo. Ah, e eu sempre quis escrever sobre marsupiais tocando rock.

Como você enxerga o mercado de Literatura Especulativa atual, tanto no exterior como no Brasil?

Tenho gostado até certo ponto. Mas ainda dá pra melhorar muita coisa. Mas o que mais aprecio é que posso ver novos autores ganhando espaço e tentando sair do que já foi explorado. Isso é interessante. E acho muito legal conhecer algumas dessas pessoas. Continuar torcendo. E no exterior a coisa tem uma proporção maior, porque em lugares como E.U.A e  Inglaterra, você já tem um mercado enorme. Em Seattle você tem um museu de sci-fi e pra cada Starbuck você encontra uma livraria com seções disso.

Seus dez livros preferidos em ordem de preferência:

1- A Ilha do Tesouro – Robert Louis Stevenson

2- O Processo – Franz Kafka

3- Visions of Cody – Jack Kerouac

4- Reparação – Ian McEwan

5- Disco Biscuits – Contos – literatura underground irlandeses da década de 90

6-  Crônica da casa assassinada – Lúcio Cardoso

7- As Virgens Suicidas – Jeffrey Eugenides

8 – The Borrible Trilogy – Michael de Larrabeiti

9 – Alice no Espelho – Laura Bergallo

10 – Dois Irmãos – Milton Hatoum

 

Como é sair de um período onde ninguém te conhecia e ir para um segundo momento onde você tem sua obra dissecada pelos mais variados tipos de leitores?

Tão divertido quanto surfar no mar vermelho… E olha que já fiz isso.  Ah, cara, é uma coisa surreal multiplicada aos quadrados e cubos.  É incrível receber todas essas respostas positivas das pessoas mais diferentes possíveis. Já recebi respostas de garotas de 12 anos que amaram, rapazes mais velhos que eu e até mesmo de um dos meus professores de faculdade. Acho que a melhor resposta que tive, foi a cartinha de uma garota de 11 anos me perguntando o que aconteceu com uma personagem depois do fim da narrativa. Ela contava que tinha uma doença bem ruim e que ela queria ser corajosa e esperta como a Annabel. Realmente, foi um dos momentos em que realmente me senti contente por ter escrito o livro.

Fale sobre seu último livro, A morte é legal:

“A Morte é Legal” é quase uma dramédia romântica com elementos de várias outras coisas, você tem uma busca por coisas perdidas, uma dupla de amigos que tenta alcançar seus sonhos – mesmo que isso envolva o maior produtor de hip hop do mundo; amantes desafortunados e pactos com criaturas sombrias e um pouco de literatura policial. Acho que também é a história mais calcada em literatura que já fiz, sendo que é baseada num poema de T.S Eliot e com muitas referências à outros escritores: Wallace Stevens, Sir Philip Sidney e Shakespeare. “Annabel & Sarah” era uma coisa mais juvenil, o meu eu daquela época brincando de misturar coisas. O livro novo tem um pouco disso, mas tem coisas daquilo que eu acabei me tornando um pouco depois e das leituras que fiz depois. Foi a coisa mais difícil que já escrevi e também a mais honesta. Eu sempre pensei na “síndrome do segundo disco” pelas quais algumas bandas passam e por isso eu pensei em como eu queria que o meu “disco novo” seguisse o mesmo espírito de coisas como “Pinkerton” do Weezer ou “Marshall Mathers LP” do Eminem – trabalhos nos quais os artistas deixaram as piadas um pouco de lado em prol de uma faceta mais agressiva e crua. Bem, eu fiz isso, mas mantive minhas piadas e bichos falantes.

E, se você se interessou pelo autor e seu livro, Annabel e Sarah, pode (e deve) conferir a resenha dele que já foi feita aqui no blog! AQUI

Cinco livros que você deveria ler nas férias

Se você não é sortudo como eu, que por milagre terei um mês de férias (dancinha da vitória nerd), mas quer aproveitar as melhores leituras que esse mês pode oferecer… Bem, separei as dicas que acho importante para todo amante da leitura:

1.      A dança dos dragões – George R. R. Martin

 “Dead things in the woods, dead things in the water.”

Tenho algumas teorias sobre quem não sabe nada sobre As crônicas de gelo e fogo, elas incluem coma, sequestro alienígena, viagem no tempo, viagem espacial ou uma mistura das opções anteriores.

No quinto volume da série o autor retoma alguns personagens que não apareceram no quarto livro. Se você ainda não conseguiu colocar a série em dia, sim, eu não estou nem na metade do terceiro livro ainda – A tormenta de espadas – esta dica serve de convite para iniciar ou retomar a série mais vendida dos últimos tempos.

 

 

2.      O prisioneiro do céu – Carlos Ruiz Zafón

Minhas dicas são totalmente pessoais e baseadas em meu gosto literário, afinal, quem não faz isso?! O prisioneiro do céu é a continuação de um dos meus livros favoritos, se não for o favorito, A sombra do vento.

Zafón é um mestre apaixonado por livros e demonstra isso através da escrita com maestria. Sua Barcelona é recheada de mistérios e névoas de romance melancólico. De presente para os fãs de seu romance anterior ou anteriores se você contar com O jogo do anjo, ele revisita um dos locais mais bacanas já inventados na literatura: O cemitério dos livros esquecidos.

– Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. Há já muitos anos, quando o meu pai me trouxe pela primeira vez aqui, este lugar já era velho. Talvez tão velho como a própria cidade. Ninguém sabe de ciência certa desde quando existe, ou quem o criou. Dir-te-ei o que o meu pai me disse a mim. Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as suas portas, quando um livro se perde no esquecimento, os que conhecemos este lugar, os guardiães, asseguramo-nos de que chegue aqui. Neste lugar, os livros de que já ninguém se lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando chegar um dia às mãos de um novo leitor, de um novo espírito. Na loja nós vendemo-los e compramo-los, mas na realidade os livros não têm dono. Cada livro que aqui vês foi o melhor amigo de alguém.”

– A Sombra do Vento

3.      A fantástica literatura queer – Volume Amarelo

Essa coletânea é responsabilidade de Cristina Lasaitis e Rober Pinheiros, primeira tentativa de unir a literatura GLBT (GLS, GLBTT ou de A a Z) à literatura especulativa no Brasil, gênero muito bem sucedido em outros países, obrigado.

Personagens héteros, gays, bis, transexuais ou sem rótulo algum, que em base é a função principalmente dessa série que já conta com os volumes Vermelho e Laranja – a previsão é trazer todas as lindas cores do arco-íris -.

Se os livros não servirem para quebrar paradigmas e abrirem mente, não sei o que é capaz de fazer isso.

 

4.      Ruas estranhas – Vários

Muita gente vai torcer o nariz e virar a cabeça como a Linda Blair em O Exorcista, mas esse livro não está na lista por conta do nome de George Martin escrito em neon vermelho e 3D na capa, mas sim porque sou um fã antigo do gênero fantasia urbana, que é o tema dos contos nele presente.

Fantasia urbana é quando você geralmente usa uma cidade como cenário para tramas com fantasia. Coisas já vistas em True Blood ou em partes de Harry Potter. Não confunda Romance Sobrenatural com Fantasia Urbana, Fantasia Urbana sobrevive sem romances, casais água e açúcar e toda aquela pegação desnecessária entre as páginas.

No fim das contas Martin apenas escreveu a introdução da obra. Todos os autores participantes são conhecidos – nem todos no Brasil -. Os que mais me interessam são Charlaine Harris, autora de As crônicas de Sookie Stackhouse (adaptado pela HBO para True Blood); Conn Iggulden, romancista da série O Imperador e Diana Gabaldon, responsável pelos romances históricos da série Outlanter (Editora Rocco). E os outros não ficam nenhum pouco atrás desses grandes nomes.

5.      A visita cruel do tempo – Jennifer Egan

“É essa a realidade, não é? Vinte anos depois, a sua beleza já foi para o lixo, especialmente quando arrancaram fora metade das suas entranhas. O tempo é cruel, não é? Não é assim que se diz?”

 

Este livro é para os leitores um pouco mais experientes, mas não se limite a não lê-lo se você não for um. Jennifer Egan recebeu o Prêmio Pulitzer, muitíssimo merecido. O romance ou ‘ciclo de contos’ cobre cinquenta anos de história enquanto brinca com a cronologia.

O livro fala de Bennie, um talentoso executivo musical; Sasha,  a assistente cleptomaníaca e uma teia de outros personagens interessantes que hora são secundários, hora são protagonistas.

Cada capítulo, ou conto, é narrado por um personagem diferente e em escrita diferente. Primeira, segunda e terceira pessoa, além de slides do Power Point são utilizados de maneira perfeita.

O tempo é o que une os personagens, o tempo que é cruel e embalado em rock’n roll para ser digerido com menos dor, medo e angústia…  Ah, o tempo.

Aparentemente acabei enganando você, infelizmente nunca disse que seria totalmente fiel em indicar apenas cinco livros, pelas minhas contas chegam há uns 40 títulos se formos correr atrás das séries completas dos autores que eu citei ou as obras anteriores aos livros indicados.

Mas a leitura é isso, não? Sempre estar insatisfeito com a quantidade de coisas que ainda não lemos.

Minha lista não é absoluta e muita menos perfeita. Talvez eu não leia esses títulos, talvez eu puxe outro na estante da minha biblioteca ou empreste um livro de que nunca ouvi falar de um amigo da tia-avó.

Só te desejo duas coisas por hora: Boas férias e boas leituras!