#Entrevista | Raphael Montes

1)   A equipe Rk Books agradece por participar da entrevista e começa querendo saber mais sobre como você acabou tendo seu primeiro romance publicado na Série Negra da Editora Benvirá.

Escrevi “Suicidas” dos 16 aos 19. Comecei a escrever no segundo ano do Ensino Médio e acabei no final do primeiro ano de Direito na Uerj, em 2009. Na época, enviei o original para várias editoras grandes que publicam romance policial. Enviei também para o Prêmio Benvirá, criado pela Ed. Saraiva em 2010 para autores nacionais.

Em fevereiro de 2011, recebi uma ligação do diretor-editorial Thales Guaracy dizendo que “Suicidas” fora finalista do Prêmio e que eles queriam publicar. Mais ainda: a editora estava começando a lançar uma série policial com vários autores estrangeiros (a “Série Negra”) e estava querendo um autor nacional que se comprometesse a escrever romances policiais com frequência. Topei na hora.

 

2)   Como é começar – com o pé direito – em um país onde a literatura não é tão valorizada em comparação com outros?

Fico muito feliz de ter a oportunidade de mostrar meu trabalho tão cedo. Ter um romance publicado por uma editora do porte da Saraiva aos vinte e dois anos permite que, desde já, eu comece a apresentar aos leitores de todo o Brasil meus projetos na literatura de mistério. Infelizmente, este é um gênero ainda fraco no Brasil, que carece de autores bons e dedicados. Espero que isso mude nos próximos anos.

 

3)   Qual sua reação ao ver que as resenhas e comentários em torno do livro são bons?

Felizmente, “Suicidas” vem colecionando críticas positivas dos leitores, da imprensa e também dos livreiros. Tive encontros via skype com livreiros de São Paulo e de Brasília. A maioria deles leu o livro, veio falar comigo no facebook, indicou “Suicidas” a amigos e clientes. Outro dia, uma amiga de Brasília foi comprar o livro e a caixa da loja disse que tinha lido porque, segundo ela, “todo mundo da loja estava comentando”. Isto é ótimo. Para o autor estreante, que não consegue muito espaço na mídia, o “boca a boca” é que vende o livro, faz a história circular. Costumo pedir a todo mundo que leu “Suicidas”e gostou que recomende aos amigos.

Depois de mais de cinco anos dedicado a este trabalho, é gratificante ver o retorno entusiasmado das pessoas. Agradeço muito cada comentário. No fim das contas, quem faz o sucesso de um livro é o leitor.

 

4)   Suicídio é um tema pesado em qualquer obra de arte, qual sua visão particular desse ato?

A pergunta que mais me fazem atualmente é se já pensei em me matar. Aviso desde logo que a resposta é “não”. Hehehe

Apesar disso, noto que virei uma espécie de referência sobre o tema. Até mesmo alguns psicólogos já vieram me falar que leram o livro e gostaram do retrato da mente de jovens suicidas.

Naturalmente, para escrever o livro, tive que pesquisar muito sobre suicídio. Li ensaios, ficção e muitas reportagens (que são absolutamente difíceis de se encontrar, já que o tema é tabu). Conversei com psicólogos e encontrei pessoas que já tinham tentado (ou pensado em) suicídio.

No fim das contas, a conclusão a que se chega é que ninguém entende direito como isso funciona. O que leva alguém a se matar? De onde isso surge? Existem teorias, e muitas. Mas prefiro não me meter nesta seara. Sou escritor policial, não um especialista no assunto.

 

5)   O livro trabalha ainda com sociopatia, bissexualidade e Síndrome de Down. Como foi a pesquisa para falar de assuntos que ainda são polêmicos? 

“Suicidas” narra a história de nove jovens de classe alta que se reúnem para fazer uma roleta-russa. No porão em que o evento acontece, eles bebem e fumam a valer. O mistério do livro é justamente o que os levou – pessoas aparentemente felizes – àquela situação limite de optar pelo suicídio.

Pois bem, uma das primeiras coisas que pensei ao escrever este livro é que eu não podia ter pudores. Trata-se de um livro sobre jovens que não têm nada a perder, que não precisam se preocupar com punição, com o futuro ou coisa assim. Eles têm total liberdade de fazer e dizer o que sempre quiseram. Eu quis trabalhar com esse despudor. E aproveitei para falar de temas polêmicos atuais: bissexualidade, drogas, internet, descaso familiar, síndrome de down, entre outros. A pesquisa para a maioria destes temas foi supercial, pois eu tratei do mundo em que vivo, de uma juventude da qual faço parte. A realidade bate na minha porta. Não precisei pesquisar muito.

 

6)   Quais seus autores e livros favoritos?

Meus autores favoritos são Agatha Christie e Patrícia Highsmith. A primeira me ensinou a importância de tramar cuidadosamente uma história; a segunda me mostrou como criar personagens verossímeis, com profundidade psicológica. Gosto muito de Cornell Woolrich, Dennis Lehane e Chuck Palahniuk também. Meus livros favoritos são Tarântula, Paciente 67, O caso dos dez negrinhos e O talentoso Ripley.

7)   Alguma dica para novos escritores?

A dica que dou é: persistam. Escrever um livro não é nada fácil. Publicar tampouco. Para dar certo, é preciso determinação. Quando outras ideias surgirem, tome nota, mas continue no seu projeto inicial. Outras duas importantes dicas são: ler muito e escrever sobre aquilo que se conhece. Não adianta ter vinte anos e escrever um romance sobre um casal de meia-idade em crise. Acaba soando forçado ou falso.

8)   Poderia nos falar sobre seu próximo ou próximos projetos?

Tenho o projeto de trabalhar com os subgêneros da literatura policial. “Suicidas” tem muito de thriller, mas traz consigo elementos de suspense psicológico, de romace-enigma e de noir. Este tipo de mistura, quando bem dosado, pode dar certo.

O projeto atual se propõe a ser um suspense psicológico clássico (poucos personagens, investigação profunda nas motivações de cada um), mas com um toque de thriller (reviravoltas inesperadas e final chocante). O plot inicial é simples: um jovem estudante de Medicina se apaixona perdidamente por uma mulher e decide tê-la para si a qualquer custo. A maneira dele para tentar conquistá-la é, digamos, pouco convencional. rs É uma história contada da visão do psicopata.

 

9)   Obrigado pela paciência. Por favor, deixe alguma mensagem para seus leitores (atuais e futuros).

Agradeço muito a todos que me lêem. Sintam-se convidados a conversar comigo, trazendo críticas ou sugestões para livros futuros. A opinião de vocês, leitores, é muito importante.

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Um comentário sobre “#Entrevista | Raphael Montes

  1. Pingback: #Resenha | Suicidas « яK BooK's

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