#Entrevista | Fabio Brust

Olá, tudo bom com vocês? O autor Fabio Brust nos deu uma entrevista fantástica, assim como os livros dele. Confiram!

яK BooK’s: Quando descobriu que seria um escritor?

Fabio: Não sei direito quando foi que isso aconteceu… eu sempre gostei de ler, mas só comecei a escrever mesmo quando eu vi que a J.K. Rowling (minha única inspiração naqueles tempos antigos) tinha começado a escrever muito nova um livro que não fazia sentido nenhum. Então pensei: “Se ela posso, porque eu não poderia?”. Acabou que comecei a escrever e não parei mais. Maldito vício!

яK BooK’s: É mais difícil escrever ou conseguir publicar um livro?

Fabio: Acho que a maior parte dos escritores vai concordar comigo que escrever é só o começo. Publicar é bem mais complicado. Tem muita gente que escreve e nunca publica nada… eu mesmo só publiquei um livro até hoje, tendo muitos outros que gostaria de fazer seguirem o mesmo caminho. Escrever é lazer, é prazer. Publicar é mais comercial e um pouco mais complicado, na medida que não dependemos mais só de nós mesmos.

Capa do primeiro livro do autor a ser publicado, Agora eu Morro.

яK BooK’s: Pessoas do seu cotidiano te inspiram para criar personagens?

Fabio: Algumas pessoas, sim. Às vezes as mais improváveis; às vezes, as mais óbvias. Mas não são muitas, não. Normalmente me inspiro em diversas pessoas pra criar os personagens. Não dá pra se ater a só uma… eu pego aspectos de muitas e mesclo em um personagem só, até torná-lo palpável. Ou, tento!

яK BooK’s: Como as ideias dos seus livros surgem?

Fabio: A qualquer hora, em qualquer momento, em qualquer lugar. O pior é quando elas simplesmente surgem, como um insight, no meio da noite. Aí você fica na dúvida se levanta e anota ou se deixa pra lá e tenta se lembrar amanhã. Eu nunca lembro. Então passei a anotar imediatamente todas as ideias que tenho! E elas não têm nenhum padrão. Às vezes são elaboradas, às vezes vem só um plot ou um personagem, ou uma situação. Eu gosto de juntar diversas ideias pra criar uma história nova…

яK BooK’s: Quais são suas bases no mundo literário? Inspirações e autores que admira?

Fabio: Acho que são três, e um deles é o mais recente, pra mim. O mais antigo foi Bernard Werber, autor da trilogia “O Império das Formigas”. Foi um livro que mudou minha concepção de mundo e me mostrou que há diversos pontos de vista para cada situação. O mais importante, pra mim, George Orwell, e o “1984”, que é um clássico e eu considero o melhor livro que já li. E, por último, Isaac Asimov, que escrevia ficção científica e nos brindou com inúmeras obras geniais. A que li foi “O Fim da Eternidade”, além do conto “A Última Pergunta” – bastante curto, que eu recomendo ler o quanto antes, aliás. O final é simplesmente genial. Esse conto é provavelmente a melhor coisa que eu já li.
яK BooK’s: Há livros ainda não concluídos ou guardados que você espera publicar?

Fabio: Mais ou menos. Se estão guardados é porque eu achei que não estavam prontos pra serem publicados, e ainda precisam de uma lapidação. E se não estão prontos, acho melhor terminar antes de pensar nos próximos passos… só pra me manter organizado!

Slogan do Novo Romance do autor.

яK BooK’s: Seu novo projeto é do gênero fantasia, sobre o que o livro vai tratar?

Fabio: Vai ser uma história de fantasia que eu costumo referir como “mais orgânica”. Não queria nada fantasioso em excesso, ou absurdo demais. Tentei manter os pés no chão até certo ponto, exagerando onde dava e deixando as coisas mais reais onde precisava. Além disso, não queria nomes cheios de trema, “k”, “w” ou “y”, como é comum em diversas fantasias. Decidi fazer uma coisa que não precisasse de guia de fala, que qualquer um pudesse ler e… enfim, entender. Por isso os personagens são Massimo, Dario, Ananias, Onça, Urso, Alba – entre outros mais exóticos, mas não inventados –, e, as cidades, Hibisco, Escarpa, Titã, Almíscar, Nebula.

яK BooK’s: Quais são suas expectativas quanto à publicação de O Sangue do Soberano?

Fabio: A princípio, nenhuma. Não enviei ainda pra nenhuma editora – está na revisão –, mas, quando enviar, espero só que alguém aceite publicar. Acho que o básico que qualquer autor gostaria em um trabalho do tipo… 

яK BooK’s: “Agora eu Morro” possui uma história intrigante, com um cenário apocalítico. Quem se propuser a ler O Sangue do Soberano poderá esperar por isso também, ou não há ligação nenhuma entre os livros?

Fabio: Não há ligação nenhuma. “Agora eu Morro” é uma história pós-apocalíptica, de ficção-científica e que se passa em nosso mundo. “O Sangue do Soberano” é uma fantasia que se passa em outro lugar, onde tudo é fictício. Tentei até mudar o estilo da narrativa… vamos ver no que dá!

O autor, na Bienal do Rio de Janeiro – 2011

яK BooK’s: Pode nos dizer um trecho do livro?

Fabio: Posso! Aí está uma cena que ocorre antes de uma luta, em que um homem que consegue se transformar em um urso, chamado genericamente por esse nome, estipula condições para a luta com o soberano, Massimo.

“Os dois andaram até o centro do círculo de tochas, Ananias ficando para trás, junto com o resto dos soldados. A movimentação pareceu aumentar, e as pessoas cochichavam sonoramente, embora fosse impossível compreender o que estavam dizendo. Teve um vislumbre de Barcas de Leon no meio dos soldados, assim como de muitos capitães. O general parecia extasiado com o que acontecia, e esperava ansiosamente pelo começo da luta.

— Que tal estabelecer algumas condições, antes de começarmos? – perguntou Massimo.

— Não vejo problema nisso.

— Está bem.

Os dois deram as duas mãos, cruzando-as uma sobre a outra, como que determinando que, quando as soltassem, o combate começaria. Olharam-se nos olhos.

— Deve ser uma disputa limpa e justa – disse o Poderoso.

— Claro.

— Sem utilização de armas – disse, apesar da adaga escondida na barra de sua calça.

O mutante jogou para o lado a espada que levava presa em um cinto. A multidão parecia ainda mais excitada.

— E, tratando-se de você, um mutante, sem a utilização de poderes sobrenaturais, ou o que quer que seja essa coisa que você e Onça têm – disse o soberano.

Ele deu de ombros.

— Diga que não vai usá-los – o soberano falou, sério.

— Não usarei meus “poderes”. Nem você, ó, Poderoso. Se é que você tem algum.

Algumas pessoas riram, à volta. Outras não entenderam o que havia sido dito, e eles cochicharam para espalhar a provocação.

— Por último, mas não menos importante: a luta termina ao primeiro sangue. Quem tiver conseguido infligir ao oponente o dano capaz de fazer verter sangue terá vencido – disse Massimo, sério. – Assim que isso acontecer, a luta é imediatamente terminada.

— Claro, claro.

— Estamos acertados então? – perguntou o soberano, prestes a soltar as mãos do outro. Urso segurou-as.

— Quase – disse ele. – Não tinha dito que teríamos de lutar em pé de igualdade?

— Sim, eu disse.

— Então vamos dar um jeito nisso – disse Urso, sorrindo, e apertou como nunca a mão direita do adversário. A esquerda dele estava enfaixada, parcialmente quebrada por um soco de Massimo, que agora tentava se soltar, em vão. O aperto era muito forte, e os olhos do homem à sua frente ficaram mais negros, indicando que sua transformação havia sido iniciada. Ele sorriu, e seus dentes encontravam-se mais pontiagudos do que deveriam. A força com que apertava a mão do outro era maior do que ele realmente tinha. Pelo menos, na forma humana.

— Filho da puta! – gritou Massimo, o Poderoso, enquanto tentava soltar sua mão, mas era tarde. A carne, volúvel, deixara que os ossos fossem segurados firmes pelos dedos do oponente, que apertou-os e fez com que chocassem uns contra os outros, duros, e, ante a força enorme, trincassem. O sorriso de Urso apenas fazia aumentar, enquanto amassava e esmagava a mão do soberano.”

яK BooK’s: Há previsões para o lançamento do livro novo, editora ou qualquer novidade que possa aguçar nossa vontade de lê-lo?

Fabio: Não. Não tem nada ainda. :\

A ilustração feita pelo próprio autor é uma das principais personagens do livro, uma onça.

яK BooK’s: O que pensa sobre a recente difusão da literatura nacional?

Fabio: O que eu posso dizer, sem ser completamente parcial? Acho que é ótimo! Os autores brasileiros têm muito a mostrar, e é muito bom, mesmo, que os próprios brasileiros estejam se dando conta, aos poucos, disso. Só espero que essa tendência continue crescendo!

яK BooK’s: Onde podemos encontrar novidades sobre seus projetos, adquirir livros e ficar por dentro de tudo?

Fabio: No meu blog! Lá normalmente tem de tudo que eu faço, além de algumas besteiras de brinde. É só dar uma olhada: http://www.fabiobrust.blogspot.com

яK BooK’s: Deixe um recado aos leitores do RK Books!

Fabio: Deixo! Espero que todo o pessoal que esteja lendo esse texto e tenha aguentado ler todas as coisas que eu sempre escrevo, que continuem lendo, e continuem apostando nos autores brasileiros. Tem muita coisa aqui que vale a pena ser lida!

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