Entrevista | Luis Eduardo Matta


Meu codinome é Luis Eduardo Matta. Nasci na cidade do Rio de Janeiro.
Minha trajetória na escrita começou em 1992, aos 17 anos, assistindo a uma entrevista de Jorge Amado na televisão. No ano seguinte publiquei meu primeiro livro.
Tenho uma vida quase que inteiramente devotada à literatura. Trabalho vinte e quatro horas ao dia, sete dias por semana, e há anos não tiro férias. No entanto, escrever é algo verdadeiramente recompensador e não me imagino vivendo de outra forma.
Eu assumo e me sujeito às devidas penalidades por ter escrito os seguintes livros:
– Conexão Beirute-Teeran (1993)
– Ira Implacável: Indícios de uma Conspiração (2002)
– 120 Horas (2005)
– Morte no Colégio (2007)
– Roubo no Paço Imperial (2008)
– O Rubi do Planalto Central (2009)
– O Véu (2009)
– O Dia Seguinte (2011)
– As Bem Resolvidas (?) (2011)

Também me entrego por fazer a divulgação do meu modo de pensar por meio dos seguintes endereços da web:
http://www.lematta.com;


1)      O que te levou a começar a escrever? Quem foi sua inspiração? De onde tira as ideias para criar tramas tão envolventes? (Ira Implacável teve sua essência tirada da bíblia?)

Comecei aos 17 anos. Mais precisamente em janeiro de 1992. Foi tudo meio repentino. Eu assistia a uma entrevista de Jorge Amado e Zélia Gattai no programa do Jô Soares quando tive uma inspiração e corri para a máquina de escrever – naquele tempo ainda se usava máquina de escrever. Passei a madrugada em claro e na manhã seguinte estava certo de que queria ser escritor. Sempre gostei de livros policiais e de suspense e a escolha por esse gênero acabou sendo automática. Por outro lado, me assustava o fato de praticamente não haver livros assim na literatura brasileira.

Os argumentos das minhas tramas quase sempre são retirados de algum fato noticiado na mídia ou do cotidiano. A ideia para Ira Implacável, por exemplo, surgiu depois do atentado na cidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, em abril de 1995, que deixou mais de 600 vítimas. O terrorista, que era americano, foi preso logo em seguida, mas eu fiquei pensando: e se ele não tivesse sido capturado? E se não fosse americano? E se o atentado tivesse ligação com outros que ainda iriam ocorrer? Fiquei pensando nessas e em outras especulações e em julho daquele ano comecei a escrever o livro. Terminei-o em abril de 1997 e entre maio e agosto de 2001 o reescrevi.

2)      Você tem muitos fãs? O que acontece quando encontra algum deles na rua? O que falam sobre seus livros?

Fãs, creio que não. Tenho leitores. Normalmente eles se correspondem comigo via e-mails. Nunca aconteceu de eu ser parado na rua por um leitor.

3)      Você tem alguma mania louca de escritor? Alguma coisa que faça antes, durante, ou depois do momento que está escrevendo?

Tenho um hábito que me acompanha há anos, desde o primeiro livro. Assim que ponho o ponto final numa história, abro uma garrafa de champanhe para celebrar, sozinho. Sendo que, nos primeiros anos, era vinho branco.

4)      Quais eram seus autores preferidos na infância? E os atuais? O Que acha da nova geração de autores brasileiros?

Minha formação como leitor aconteceu, basicamente, com livros infanto-juvenis policiais brasileiros. Meus autores preferidos nessa época eram Ganymedes José, João Carlos Marinho, Marcos Rey, Stella Carr, Lucia Machado de Almeida… Depois passei à literatura policial adulta, sobretudo Agatha Christie e, em seguida a autores dos mais variados estilos, de Jorge Amado a Dostoievski, mas sem jamais abandonar os thrillers. Acho que literatura brasileira vive um excelente momento. Há muitos novos autores produzindo em diferentes linhas, o que é ótimo. A diversificação enriquece a literatura.

5)      Seus livros falam muito do Oriente Médio. Você já esteve lá? Se não, pretende ir algum dia?

Nunca estive. Nas poucas vezes em que planejei ir, algo grave aconteceu por lá e eu fui forçado a cancelar a viagem por questões de segurança. Estudei sobre o Oriente Médio por cerca de vinte anos, mas de uns tempos para cá venho perdendo o interesse pela região. Dificilmente ela aparecerá novamente em algum dos meus livros.

6)      Faça uma breve autobiografia sua. Desde a infância até agora. Se você se casou, teve filhos.

Fui criado entre a cidade do Rio e uma casa no campo, no interior do estado. Aprendi muito cedo, por exemplo, a cuidar da lavoura, ao mesmo tempo em que vivia a efervescência da metrópole. Foi um aprendizado de vida muito rico. Não me casei nem tive filhos ainda. A minha opção pela carreira literária, que é uma carreira difícil, me fez renunciar a muitas coisas. Não me arrependo de nada. Desde sempre entendi com muita nitidez que a vida é feita de escolhas e que não se pode ter tudo. Que se deve abrir mão de certas coisas para se ter outras. Este é, inclusive, o princípio fundamental para a vida em sociedade.

7)      Pretende continuar a escrever? Já tem algum lançamento previsto para 2011?

Estou sempre escrevendo e tenho já dois lançamentos confirmados para 2011. Um deles é o primeiro volume de uma série juvenil chick-lit, que deverá sair em maio ou junho. O segundo é um thriller, também juvenil, ambientado em Nova York durante os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, que será lançado, provavelmente, no segundo semestre. Além disso, terei contos meus publicados em duas antologias. A primeira, Jogos Criminais, foi lançada em janeiro.

8)      Qual sua comida predileta? Por quê?

Sou um bom garfo e gosto praticamente de tudo. Da culinária mais simples à mais sofisticada. Mas meu prato predileto, acredite, é arroz, feijão preto, bife e batata frita. Como arroz com feijão praticamente todos os dias desde os meus dois ou três anos de idade.

9)      Você já recebeu alguma crítica sobre algum de seus livros que te deu vontade de parar de escrever? Uma crítica muito ruim?

Já recebi várias críticas violentas, mas nenhuma delas me fez pensar em parar de escrever. Eu não me abato com as críticas negativas e nem me envaideço com as positivas. Durante anos acompanhei a crítica literária pela imprensa e perdi a conta dos livros, muitos de autores consagrados, que vi recebendo as avaliações mais diferentes. Isso faz parte do processo. Existe um grande componente de subjetividade em cada leitura e os escritores não devem perder a cabeça por causa disso.

10)  Deixe uma mensagem para seus leitores, fãs e também para os novos autores que estão chegando.

Aos meus leitores, agradeço a confiança que depositam em mim e no meu trabalho. Espero que continuem prestigiando a mim e, também, aos demais escritores brasileiros. Há muita coisa boa sendo feita em nosso país. Aos novos autores, digo sempre que não desistam diante dos obstáculos. Se a literatura for, realmente, uma vocação e uma paixão, perseverem, procurem se aprimorar. E, por fim, jamais permitam que o ego cresça demais. Existe uma tendência entre os escritores de se achar geniais, mas devemos levar em consideração toda a grande literatura que já foi produzida no mundo para vermos que não passamos de grãos de areia numa praia. Essa constatação, podem ter certeza, é libertadora.

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