Entrevista | Renatho Costa

ESSA FOI UMA entrevista que realizei com o RENATHO COSTA autor do livro OS MENINOS DE GATEVILLE o qual já resenhei e até fiz promo! (Confiram a resenha!)
O autor foi bem legal e respondeu rapidamente ao meu e-mail!
Seguem-se alguns contatos dele e logo abaixo a entrevista;
BLOG DO AUTOR: HTTP://RENATHOCOSTA.BLOGSPOT.COM
BLOG DO LIVRO: HTTP://OSMENINOSDEGATEVILLE.BLOGSPOT.COM

ENTREVISTA:

1 – De onde surgiu a ideia de escrever OS MENINOS DE GATEVILLE?

Bom, depois de assistir “A Bruxa de Blair” cheguei ao site do filme e fiquei fascinado com a
maneira com que foi estruturado para parecer que os fatos teriam acontecido de verdade. Foi uma
jogada de marketing invejável. Daí, mostrei o site para um amigo web designer e perguntei se seria
possível criarmos uma história que deixasse os internautas em dúvida acerca da veracidade dos
fatos. Com isso idealizamos um site que se chamava “Be Alive”. Escrevi vários diários (posts) de
um personagem que, após ter tido contato com um crime, saia pelo mundo buscando os culpados.
Tudo estruturado, site pronto, mas o patrocínio não chegou e paralisamos o projeto. Talvez a
proposta fosse ambiciosa demais, o site foi todo idealizado bilíngue para ter âmbito internacional.
Algum tempo depois, peguei os diários para reler e percebi que havia a possibilidade de criar
uma trama interessante, bastava, para tanto, transformar em linguagem literária. Como só tinha
escrito peças teatrais até então, assumi o desenvolvimento desse romance como um desafio… e daí
surgiu “Os meninos de Gateville”!

2 – Como você teve aquelas ideias macabras do livro? (Vou te dizer, por pouco não vomitei, rasguei
ou atirei o livro na parede.)

Sempre gostei de suspense. Também acho que as tramas policiais, as investigações de crimes e
todo o universo que abrange a violência, atraem as pessoas. Até com reações semelhantes a que
você relatou ao ler o livro. Ou seja, ao mesmo tempo em que repudia, quer conhecer, quer ir mais
fundo para saber qual o limite da barbárie. Sou fã do gênero policial e a maneira com que os crimes
acontecem sempre me instigou, a própria figura do serial killer é incrível, sob o ponto de vista
dramático, evidentemente. Então, acredito que fui buscar todo o repertório do que li e assisti para
transformar em algumas dessas passagens do livro. A violência não está presente a todo o momento,
mas quando surge, ela tenta ser um personagem a parte, ou seja, provocar o leitor. Também há
a violência induzida, que é a própria história do livro que o personagem escreveu (o romance
intitulado “Os treze cantos dos Estados Unidos) e que todo mundo lê (uma piada com os taxistas de
todo o mundo), mas se sente “violentado” pelo requinte de crueldade (mas quem cria esse requinte é
o leitor, apenas sugiro!).

3 – Quando as pessoas chegam até você para falar sobre o livro o que elas dizem? (Minha opinião
não conta, ok?)

Essa era minha primeira dúvida e insegurança! Quando publiquei o livro tinha a sensação de que
ninguém iria gostar dos personagens, ninguém iria achar interessante a trama… tudo isso gerava
uma tremenda incerteza. Mas a verdade é que tenho tido uma reação do público muito melhor
do que pensei algum dia. As pessoas normalmente me dizem que são “presas” pela trama e não
conseguem parar de ler. Muita gente me diz que leu o livro em dois dias… e são 320 páginas!!!
Acho que as pessoas ficam envolvidas por uma trama que vai sendo revelada aos poucos e, talvez
eu tenha tido a sorte de dosar essas revelações, senão o leitor se cansaria. Para minha felicidade,
ainda não recebi críticas negativas; sugestões, sem dúvida. Mas também gosto da maneira com
que as pessoas se sensibilizam com o personagem principal… muita gente fica mais abalada com
a vida do Jimmy do que com o crime que ele investiga. Essa também é uma razão para que outros
públicos, que não os leitores de suspense, gostem da trama… Recentemente recebi um e-mail de
uma leitora que queria discutir sobre a vida amorosa do Jimmy, ela fazia algumas colocações
fantásticas e de uma profundidade que talvez eu nem tenha pensado… A história passou a ter “vida
própria”.

4 – Você já conseguiu muitos fãs? (Além da minha pessoa)

O livro foi lançado em agosto desse ano e sua repercussão está sendo maior do que eu imaginava.
Tenho tido a felicidade de encontrar fãs nos locais mais remotos do Brasil, e, gradualmente vou
recendo e-mails de pessoas que fazem as perguntas mais inusitadas sobre o livro. O mais legal
nisso é que as pessoas querem saber mais e mais sobre os personagens, lugares, fatos… parece que a
trama foi incorporada a vida das pessoas.

Também, com a publicação, consegui conhecer muita gente do meio literário e essa abertura não
tinha pensado antes… Acho que, de maneira geral, tenho consegui mais fãs a cada dia… pessoas que
também me torno fã, porque querem fazer com que “Os meninos de Gateville” faça parte de suas
vidas. Incrível pensar que possa acontecer isso com uma história!!!

5 – Qual seu alimento preferido? Por quê?

Pergunta complicada… acho que não tenho muita restrição com relação à comida, mas não gosto
muito de perder tempo com isso, sempre tenho a impressão de que almoços e janteres roubam
meu tempo… É loucura, eu sei, talvez perca mais tempo com outras coisas… Além do mais, para
não “perder tempo”, acabo incorrendo em atitudes equivocadas, digo isso porque não representa
nenhum bem à saúde, sou fã do McDonalds! Tenho um prazer incrível ao comer um BigMc…
Acho que os lanches, de modo geral, estão incorporados ao meu cotidiano. São saborosos e acabam
rápido… também são rápidos para fazer… Acho que toda esse pressa me afastou de alguns prazeres
da vida… mas isso ainda não consegui mudar!

6 – Quais os lugares e/ou pessoas que te inspiraram a escrever OS MENINOS DE GATEVILLE?
Você pegou o nome de alguém emprestado?

Sempre gostei muito de Stephen King, mas tenho muitas outras referências literárias… e nesse caso,
acho que séries como Arquivo X estão mais presentes no livro. Agora, para criar o universo de
Gateville utilizei alguns lugares onde tive a oportunidade de conhecer. Também, nesse romance,
utilizo alguns personagens reais (como Paulo Francis) convivendo com outros de ficção no mesmo
ambiente. Esse recurso sempre me interessou porque gera mais credibilidade à trama e, muitas
vezes, dúvidas sobre a veracidade do fato. Quanto aos nomes dos personagens, gosto de fazer
homenagens… existem várias nesse livro. O personagem principal, Jimmy, tomei a liberdade
de roubar de James Dean, um ator que o mito ultrapassa todas as fronteiras da rebeldia… só que
esse “Jimmy” guarda mais a angústia de James Dean do que sua rebeldia… A imagem dele andando
solitário por NY esteve na tela de meu PC durante todo o tempo que escrevi. Existem várias
homenagens… mas o legal é descobrir!

7 – Com quantos anos você começou a escrever? Quais eram seus autores preferidos nos tempos de
criança? (Quando eu disse criança, entenda-se até os 18 ou 20 anos)

Bom, toda minha formação dramatúrgica veio das novelas… acho que desde quando nasci já
assistia novelas… E sempre gostei de entender como eram feitas as novelas, como fazia para
que “aquelas pessoas falassem aquelas coisas”. Essa minha curiosidade fez com que eu, quando
tinha uns 13 anos, escrevesse uma novela (eu entendia que tinha escrito uma novela), escolhesse um
nome de diretor de alguma delas que estivesse no ar e enviasse para ele (escolhi Jorge Fernando).
Mas quando postei a novela para ele, enviei uma carta que só aceitaria que fosse feita se minha
irmã fizesse tal personagem!!! Nunca recebi a resposta… Mas continuei escrevendo, imaginando
situações e criando em forma de diálogos (que era assim que imaginava que os atores recebiam
os capítulos). Quando fiquei um pouco mais velho passei a ler muitas peças teatrais e roteiros de
cinema. Já no ensino médio escrevia peças para serem encenadas. Daí cheguei a iniciar um curso
de cinema, mas abandonei e fui trabalhar com teatro. Como membro de uma companhia teatral,
tive a possibilidade de escrever muito e testar meus textos no palco, principalmente ao participar de
festivais!
Particularmente me interessei pelo teatro do absurdo de Ionesco, Beckett, Genet, Adamov e Pinter.
E minha primeira peça encenada foi nesse gênero, uma homenagem ao “Esperando Godot”,
chamada “Dias Difíceis Dentro Da Dor Do Desencontro”.
O teatro sempre esteve muito presente em minha vida e aprendi trabalhar com dramaturgia fazendo
cursos e experimentando. Evidentemente que nesse percurso também conheci Gabriel García
Marques, Agatha Christie (li bastante), Jack Kerouac… sempre gostei muito de ouvir o que as
pessoas pensavam dos autores e obras e acabava lendo para verificar se concordava… Não posso

deixar de mencionar Rubem Fonseca e Patrícia Melo… Tem mais gente, mas não me lembro…
também vai ficar uma relação de nomes e pode ficar chato e o pessoal não lê o restante!

8 – Você tem alguma mania de escritor? Alguma coisa louca que você faça quando está
escrevendo?

Não sei se chega a ser uma mania, mas sempre tento criar os recursos visuais do que estou
escrevendo. Por exemplo, tenho fotos de quase todos os lugares por onde Jimmy passa durante o
romance. Também criei um cast para que eu soubesse como era a cara de cada personagem… Então,
durante o processo vou juntando imagens que fazem com que a trama fique mais “verdadeira”.
No final acabei fazendo um diário do Jimmy. Já estou fazendo a mesma coisa com a história que
estou trabalhando no momento… Fora isso, às vezes escrevo ouvindo música, quase sempre de
madrugada… nada diferente… Ah, sempre escrevo com a página formatada. Talvez seja besteira,
mas se não for assim, não sai nada!

9 – Faça um breve resumo de sua vida. ( Onde e quando nasceu, você se casou e teve filhos? Quais
suas ambições na vida, pretende escrever algum livro novo? Etc.) (E não se atreva a copiar aquelas
descrições prontas do Skoob!)

Nasci em São Paulo, capital, fui casado por três e tive uma filha. Como disse antes, trabalhei por
muitos anos no meio teatral e minha grande ambição era escrever e ver meus textos encenados. Tive
a felicidade de ver alguns deles no palco… é uma sensação incrível, a transposição da folha de papel
para o palco é algo mágico. É como se eu tivesse o poder de criar um mundo!!! Pretensioso… mas é
a pura verdade. Mas depois de muito tempo me dedicando exclusivamente ao teatro, passei a focar
minha vida na carreira acadêmica (sou formado em Relações Internacionais, mestrado e doutorado
em História), área que atuo também. Mas não deixei de escrever para teatro, a carpintaria teatral me
deu estofo para poder alçar novos voos e é um gênero que gosto muito de trabalhar. Às vezes crio
cenas para treinar opções dramáticas… um passa-tempo!
Mas como não consigo me satisfazer sem desafios, “Os meninos de Gateville” foi um deles. E,
hoje, já estou trabalhando em outro romance cuja temática é semelhante. Novamente, um crime
vai desencadear um rol de acontecimentos… Já tenho a estrutura pronta… várias fotos dos lugares,
algumas caras de personagens definidas… Mas acredito que só conseguirei avançar na escrita no
próximo ano.

10 – Deixe uma mensagem para seus fãs, leitores e os novos escritores.

Antes de mais nada, tenho de dizer que é uma honra poder falar sobre esse livro. Ele abriu algumas
portas para mim que sequer imaginava, então, não me canso de responder as perguntas que fizerem
sobre ele e tudo que o cerca. Uma oportunidade incrível! Gostaria de dizer que é maravilhosa
a sensação de ouvir um leitor comentar sobre o livro (e não excluo as críticas negativas), que
cada vez que alguém lê o livro, sinto que ganhei um prêmio: consegui entretê-lo por horas… num
mundo em que tempo é escasso, sou um privilegiado. Então, tenho de agradecer aos leitores…
e convidar aqueles que gostam de uma trama complexa e cheia de reviravoltas, que deem uma
oportunidade para “Os meninos de Gateville”. Muitas pessoas têm descoberto esse livro pela capa,
mas depois percebem que seu conteúdo acompanha o mesmo clima… suspense e mistério. Agora,
para os novos escritores sinto-me sem condições para dar conselhos, até porque estou estreando
nesse gênero literário, mas acredito que se você tem algo em mãos que valha à pena ser lido e que
acredite, busque caminhos para que chegue a uma editora. Mais do que nunca poderão analisar as
possibilidade de sua obra… Muitas vezes temos um apreço tão grande pelo que escrevemos que
não conseguimos perceber falhas… digo isso porque uma amigo editor leu meu livro numa das
primerias versões e fez algumas sugestões que fizeram com que ele melhorasse muito. Acho que o
fundamental é estar aberto para às críticas… elas constroem!

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